O que é Taxa de Abertura de Crédito (TAC)? Definição completa + exemplos práticos
Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é o valor cobrado pelo banco na hora de liberar seu empréstimo. Entenda como funciona, quando é cobrada e por que foi proibida no crédito pessoal.
Resposta direta: Taxa de Abertura de Crédito (TAC) é o valor que o banco cobra uma única vez pra processar e liberar seu empréstimo. Em home equity, essa taxa pode chegar a 3% do valor contratado — ou seja, se você pegar R$ 500 mil, pode pagar até R$ 15 mil só pra "abrir" o crédito.
Por Gabrielle Aksenen — Especialista em Home Equity · Cofundadora Solva · 8 anos no mercado
Gabrielle (Gabi) Aksenen acompanha cada operação Solva pessoalmente. 8 anos no mercado, mais de R$ 200 milhões intermediados em 11 bancos parceiros.
Definição básica
A Taxa de Abertura de Crédito é uma cobrança única que o banco faz no momento da liberação do empréstimo. Pense nela como uma "taxa de entrada" — você só paga uma vez, no dia que o dinheiro cai na sua conta. O banco justifica essa cobrança dizendo que ela cobre os custos de análise de crédito, avaliação do imóvel (em home equity), registro de contrato e processamento da operação. Se você ainda tá perdido, calma — vou explicar com exemplo nos próximos parágrafos.
Como funciona na prática (com exemplo numérico)
Suponha que você tem um imóvel de R$ 800.000 e quer pegar R$ 480.000 emprestado com garantia desse imóvel (home equity). O banco aprova sua proposta com os seguintes custos:
- Valor solicitado: R$ 480.000
- Taxa de juros: 1,15% ao mês (14,69% ao ano)
- TAC: 2% sobre o valor contratado = R$ 9.600
- Prazo: 120 meses
O que acontece no dia da liberação:
- O banco libera R$ 480.000 na sua conta
- Ele desconta R$ 9.600 (a TAC) imediatamente
- Você recebe R$ 470.400 líquido pra usar
Mas atenção: suas parcelas mensais são calculadas sobre R$ 480.000 (o valor bruto), não sobre o que você recebeu de fato. Ou seja, você paga juros sobre os R$ 9.600 que o banco reteve. Isso aumenta o custo real da operação — um detalhe que muita gente não percebe na hora de assinar.
Por que esse termo importa pra você
A TAC afeta diretamente quanto dinheiro você recebe no bolso e quanto paga ao longo do tempo. Três motivos pra entender isso a fundo:
1. Você recebe menos do que pediu. Se precisa de R$ 500 mil líquidos pra reformar o imóvel e o banco cobra 2% de TAC, você precisa contratar R$ 510.204 pra receber os R$ 500 mil que realmente precisa. Muita gente descobre isso tarde demais — quando o dinheiro já caiu na conta e percebe que faltou grana pro projeto.
2. Bancos diferentes cobram TACs muito diferentes. Na Solva, já vimos propostas pro mesmo cliente com TAC variando de 0% (alguns bancos digitais) até 3% (bancões tradicionais). Numa operação de R$ 600 mil, isso significa R$ 0 versus R$ 18 mil — diferença que paga 6 meses de reforma.
3. A TAC entra no CET, mas não aparece na taxa de juros. O Custo Efetivo Total (CET) é o único número que mostra o custo real — ele inclui juros + TAC + seguro + outras taxas. Um banco pode oferecer 1,10% ao mês de juros (parece barato) mas cobrar 3% de TAC. Outro banco oferece 1,20% ao mês sem TAC. O segundo pode sair mais barato no final, dependendo do prazo. Por isso comparar só a taxa de juros é armadilha — você precisa olhar o CET.
Quando você compara 11 bancos na Solva, a gente sempre destaca a TAC de cada proposta e calcula o valor líquido que você recebe. Não tem surpresa na hora de assinar.
Origem legal e regulatória
A Taxa de Abertura de Crédito era cobrada em praticamente todo tipo de empréstimo no Brasil até 2008. Naquele ano, o Banco Central identificou que muitos bancos embutiam custos operacionais normais (que já deveriam estar cobertos pelos juros) numa TAC abusiva.
Em 30 de abril de 2008, o BACEN publicou a Resolução CMN 3.518, que proibiu a cobrança de TAC em operações de crédito pessoal, cheque especial e cartão de crédito. A resolução determinou que os bancos só podem cobrar pela prestação de serviços efetivos — e que esses serviços precisam estar descritos de forma clara no contrato.
Mas a resolução deixou uma brecha: modalidades garantidas (como financiamento imobiliário, leasing e home equity) continuaram podendo cobrar TAC, desde que o valor esteja explícito no contrato e no CET. Por isso, até hoje, quando você faz um empréstimo com garantia de imóvel, a TAC ainda aparece — e pode pesar bastante no seu bolso.
Fontes: Resolução CMN 3.518/2008 (BACEN)
3 erros comuns sobre a TAC
✗ Mito: "A TAC cobre custos reais do banco, então é justa"
✓ Verdade: Parte da TAC cobre custos reais (avaliação do imóvel, registro em cartório), mas boa parte é marg
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