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O que é Certidão de Ônus Reais? Definição completa + exemplos práticos

Certidão de Ônus Reais é o documento que lista todas as 'dívidas grudadas' no seu imóvel. Entenda como funciona, por que importa no home equity e como consultar.

24 de abril de 20264 min de leituraglossariocertidao-de-onus-reaisdocumentacaoregularizacao

O que é Certidão de Ônus Reais? Definição completa + exemplos práticos

Resposta direta: Certidão de Ônus Reais é o documento emitido pelo cartório de registro de imóveis que lista todas as dívidas, hipotecas, penhoras e outras restrições legais "grudadas" no seu imóvel. Em home equity, nenhum banco libera crédito sem essa certidão — ela prova que o imóvel pode virar garantia limpa.

Por Gabrielle Aksenen · Especialista em Home Equity · Cofundadora Solva · 8 anos no mercado
Gabi acompanha cada operação Solva pessoalmente. Mais de R$ 200 milhões intermediados em 11 bancos parceiros.


Definição básica

Certidão de Ônus Reais é literalmente uma "radiografia jurídica" do seu imóvel. O cartório olha na matrícula (que é o "RG" do imóvel) e lista tudo que pode comprometer a propriedade: hipotecas antigas não quitadas, penhoras de dívidas trabalhistas, servidões (quando alguém tem direito de passar no seu terreno), usufruto (quando outra pessoa tem direito de usar o imóvel mesmo você sendo dono). Se você ainda tá perdido, calma — vou explicar com exemplo nos próximos parágrafos.

Como funciona na prática (com exemplo)

Suponha que você tem um apartamento de R$ 800.000 e quer pegar R$ 480.000 de home equity no Bradesco.

Passo 1: Você solicita a Certidão de Ônus Reais no cartório onde o imóvel foi registrado (custa entre R$ 70 e R$ 150, depende do estado).

Passo 2: O cartório emite a certidão. Nela aparece:

  • Proprietário: Seu nome completo
  • Matrícula: 123.456 (número único do imóvel)
  • Ônus existentes: "Hipoteca em favor do Banco Itaú S.A., R$ 120.000, registrada em 15/03/2019"

Passo 3: O Bradesco vê essa hipoteca de R$ 120.000 do Itaú e diz: "Antes de liberar os R$ 480.000 pra você, precisa quitar essa dívida antiga. Vamos fazer assim: dos R$ 480.000 aprovados, usamos R$ 120.000 pra pagar o Itaú direto e você recebe R$ 360.000 líquido."

Passo 4: Após quitação, o Itaú emite uma carta de anuência (documento que autoriza remover a hipoteca antiga). O cartório atualiza a matrícula: agora só aparece a nova hipoteca do Bradesco de R$ 480.000.

Resultado: A certidão "limpou" antes da operação nova começar. Sem ela, o Bradesco nunca aprovaria — ele precisa garantir que o imóvel tá livre pra virar garantia exclusiva dele.

Por que esse termo importa pra você

Se você não entende Certidão de Ônus Reais, pode travar sua operação de home equity sem perceber. Três situações reais que vejo toda semana:

1. Hipoteca esquecida de 15 anos atrás
Cliente tem imóvel quitado (acha que sim), mas na certidão aparece hipoteca de R$ 80.000 de um financiamento de 2009. O banco anterior nunca baixou o registro. Solução: protocolar pedido de baixa (demora 30-60 dias) ou quitar judicialmente se o banco sumiu. Sem isso, nenhum dos 22 bancos Solva aprova.

2. Penhora de dívida trabalhista
Imóvel vale R$ 1,2 milhão, mas tem penhora de R$ 200.000 de um processo trabalhista. O banco desconta esse valor do LTV máximo: em vez de emprestar até 60% (R$ 720.000), empresta no máximo R$ 520.000 (720k - 200k). Você perde R$ 200.000 de limite sem saber.

3. Usufruto vitalício da mãe
Você é dono, mas sua mãe tem direito de morar até morrer (usufruto vitalício registrado em cartório). Bancos recusam operações com usufruto ativo — risco jurídico alto. Solução: remover o usufruto com anuência dela (precisa escritura pública) ou usar outro imóvel como garantia.

Regra de ouro: Bancos diferentes interpretam ônus de forma diferente. O Santander pode recusar um imóvel com servidão de passagem, mas o Daycoval aceita com desconto de 10% no LTV. Comparar 11 bancos na Solva é a única forma de não perder dinheiro por causa de um ônus "curável".

A Certidão de Ônus Reais existe por força da Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), que determina que todo ato que afete a propriedade de um imóvel deve ser registrado na matrícula. Artigo 167, inciso II da lei lista 32 tipos de ônus registráveis — os mais comuns em home equity:

  • Hipoteca (Lei 10.406/2002, Código Civil, arts. 1.473-1.505): quando o imóvel garante uma dívida mas você continua morando nele.
  • Alienação fiduciária (Lei 9.514/1997): quando a propriedade é transferida pro credor até você pagar.
  • Penhora (Código de Processo Civil, art. 831): quando a Justiça "trava" o imóvel por dívida em processo.
  • Servidão (Código Civil, arts. 1.378-1.389): quando alguém tem direito de usar parte do seu terreno (ex: viz
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